TEAR de Ideias
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Com a leitura do livro FIOS DA INFÂNCIA: ENTRELAÇAMENTOS NO INÍCIO DA VIDA: DIDÁTICA PARA PROFESSORES EM CRECHES, é possível implementar sugestões aqui trazidas, ideias e conceitos em construção na publicação.
O TEAR de Ideias traz algumas propostas de como o professor pode interagir com as crianças a partir de situações e elementos folclóricos trazidos neste material, importante estratégia para fortalecimento da imaginação, criatividade, conhecimento e entendimento de questões culturais vividas pelas crianças no cotidiano. A intenção é que o professor busque inspiração, mas, sobretudo, que inove nas possibilidades com cada proposta apresentada, adequando-se à realidade local. A mensagem fundamental neste TEAR é a oportunidade de criar relações e interações verdadeiras e produtoras de conhecimento e cultura no ambiente da Creche.
Para tanto, apresentamos a seguir sugestões de interação e orientações para o professor.
Sobre parlendas, cantigas, lendas e adivinhas populares
• Brinque com prazer e desfrute desses momentos com as crianças.
• Memorize as parlendas e cantigas junto com as crianças.
• Utilize parlendas e cantigas em situações do cotidiano que se encaixem com os versos, como a escolha de quem inicia uma brincadeira ou citando os versos em uma roda.
• Recite parlendas com diferentes entonações de voz, o que pode colocar uma série de possibilidades: vozes agudas e graves, lentas e rápidas, alta e baixa...
• Disponha de situações (como preparar um presente para um colega aniversariante ou enviar a uma escola em outro estado ou cidade com a qual estão mantendo correspondências) que possibilitem representar graficamente as parlendas e as cantigas pelas crianças, usando materiais da linguagem plástica como tintas e lápis coloridos.
• Localize e identifique palavras desconhecidas de parlendas e cantigas como uma boa estratégia para o grupo ampliar repertório linguístico e converse em assembleia sobre essas palavras, fazendo associações com outras palavras e sinônimos, além de paralelos com situações vividas na escola ou em convívio familiar e comunitário.
• Peça que as crianças pesquisem sobre parlendas e cantigas com educadores das creches e com a família, e tragam sugestões para ampliar o repertório do grupo. Se for possível, acione também a vizinhança da escola.
• Proponha ao grupo que convidem crianças de outros grupos para brincar com as parlendas e cantigas.
• Use o arsenal de fantasias da Creche ou solicite que tragam de casa fantasias que remetam às situações relatadas nas parlendas e cantigas. Por exemplo, na parlenda Rei, capitão, soldado, ladrão... vestir fantasia de rei ou soldado.
• Existem cantigas e parlendas recitadas e cantadas disponíveis na internet. Leve esses elementos para o espaço de referência e espaços coletivos como um recurso que aguça a imaginação e garante mais aproximação entre meninas e meninos.
• Antes de apresentar uma lenda às crianças, conheça a história e pense na forma como apresentará ao grupo. Busque também por variações da lenda em outras localidades.
• Antes de qualquer proposta com lendas, escute o que as crianças pensam, sentem e imaginam sobre ela.
• Histórias com fantoches são boas oportunidades para apresentar e representar lendas.
• Teatro também é uma boa oportunidade de imergir e se aprofundar na lenda.
• Outra possibilidade é a confecção pelas famílias de livros com as histórias de lendas regionais populares, inclusive com ilustrações produzidas em cooperação entre crianças e adultos.
• No caso de lendas como a Lenda do Açaí, por exemplo, pode levar a fruta ou a polpa para experimentação e investigação pela criança. Caso não seja possível conseguir a fruta, use fotografias.
• Encoraje as crianças a imaginar finais diferentes para as lendas.
• Estimule que representem o que mais gostaram nas histórias com diferentes linguagens: desenho, pintura, escultura, encenações, música etc.
• Apresente-lhes adivinhas para aprofundar as aprendizagens relacionadas à oralidade. Deve ser um momento de diversão.
• É importante estimular as crianças a formular hipóteses de respostas das adivinhas. Dar dicas sobre a resposta para que adivinhem é uma possibilidade.
• Se a adivinha tiver um objeto real como resposta, esse objeto pode ser levado para que as crianças explorem suas funções sociais e simbólicas, por exemplo, a balança e a pipoca.
• A resposta pode ser usada para trazer novos conceitos e ideias ao grupo. Por exemplo, se em uma adivinha a resposta é ovo, pode-se questionar sobre que animais que nascem do ovo e anotar as ideias das crianças para possíveis aprofundamentos e/ou investigações.
Sobre manifestações culturais
• Escute o que as crianças pensam e desejam experienciar e/ou investigar.
• Provoque interesse e crie ambientes que favoreçam as pesquisas. Por exemplo, organizar o ambiente de referência com roupas e objetos típicos do folclore nordestino, se for o caso.
• Selecione vídeos de manifestações populares, brincadeiras, festas tradicionais e outros elementos para que as crianças assistam. Dialogue também sobre o que elas pensam e sentem. Que semelhanças e diferenças com a cultura local aparecem? Uma rica e potente forma de intervenção é receber as crianças pela manhã com projeções desses materiais em paredes da Creche.
• Utilize também vídeos e fotos projetados nas áreas de convivência, além de músicas, para recepcionar as famílias no momento da chegada à escola. Aproveite para dialogar sobre ideias acerca do tema com crianças e adultos.
• Solicite apoio das famílias para a produção e empréstimo de roupas, indumentárias, objetos e outros elementos necessários para aprofundar as pesquisas sobre o tema.
• Pesquise grupos ou artistas da comunidade que podem participar de uma vivência com as crianças na escola.
• Manifestações populares como festas, danças e folguedos devem ser vividas com as crianças na cidade, sempre que possível. Essa aproximação e vivência da cultura local, regional e nacional proporciona ricas aprendizagens.
• É possível também imprimir fotografias e disponibilizar nos espaços de referência e de convívio coletivo, sempre na altura das crianças.
• Documente os processos vividos com imagens, falas das crianças, vídeos e expressões que sejam genuínas da infância. Reveja as documentações que estão apresentadas no livro e no DVD e utilize-as como inspiração para compartilhar as descobertas com a comunidade em que a criança está inserida.
• Invista em documentações que mostrem a toda a comunidade escolar os processos vividos. Isso ajuda a aproximar os pais do que está sendo vivido pelas crianças na escola. Por exemplo, se algum membro da família já teve contato com alguma das manifestações investigadas, pode contribuir contando sua experiência e/ou mostrando fotografias pessoais ou compartilhando objetos trazidos da região.
• Envolva crianças de toda a Creche, isso ajuda a fortalecer ainda mais a manifestação popular no ambiente escolar.
• É possível ampliar as possibilidades trazendo brincadeiras e receitas típicas da região ou da festa popular para fazer junto às crianças. É também uma possibilidade para dialogar sobre outros elementos, como ingredientes típicos na região.
• Convoque a família para criar roupas típicas ou fazer uma receita com a ajuda das crianças. Isso contribui para enriquecer o repertório e aproximar a família da Creche.
• As manifestações populares podem ser vividas em situações cotidianas da creche. Ouvir músicas típicas da festa ou região na hora do almoço ou lanche é uma possibilidade de trazer a manifestação para a escola. Usar peças de artesanato típico ou elementos construídos pelas crianças na decoração da Creche também é potente.
• Verifique a possibilidade de fazer entrevistas com pessoas mais velhas da comunidade como forma de conhecer e aprender outras tradições.
• É importante que esses movimentos façam parte das pesquisas e experimentos cotidianos das crianças e famílias, entendendo a Creche como um ambiente produtor de conhecimento e cultura que valoriza tradições populares e regionais.
• Uma possibilidade de interação é a confecção, pela comunidade escolar, de livros de histórias sobre as manifestações populares ou lendas. Podem ser com desenhos de crianças, dos adultos, colagens, etc.
• Sempre que possível, solicite que as crianças expressem seu ponto de vista por meio das linguagens gráfica e orais. Valorize a produção da criança.
Sobre música e danças populares
• Para ampliar a ideia de cantar, brincar de roda e fazer os movimentos que a cantigas sugerem, organize o ambiente e materiais para a experimentação, inserindo diferentes instrumentos musicais, por exemplo.
• Crie condições para que as crianças toquem e percebam diferentes ritmos e sons. Você pode usar panelas, tampas, chocalhos feitos com materiais reutilizáveis, sementes e galhos para confeccionar esse material com as crianças.
• Em situações de danças e músicas típicas de uma região, uma oportunidade de ampliação é escutar as ideias das crianças sobre a dança ou música e assistir a vídeos sobre o tema.
• Disponibilize instrumentos típicos de cada dança ou música, isso aproxima as crianças da investigação. Uma estratégia é pedir que as famílias tragam esses instrumentos de casa.
• Identifique pais, tios ou avós e convide para diálogos com as crianças sobre o tema investigado. Se, por exemplo, estiverem pesquisando sobre algum ritmo do Sul, um membro da família que veio desse contexto pode trazer muitas possibilidades.
• Convocar grupos da comunidade local esta é uma estratégia potente de contato com os ritmos e danças. Por exemplo, convide um grupo local de samba de roda para se apresentar na escola e disponibilizar um momento para o diálogo e troca de ideias.
• É fundamental que a seleção de canções ou danças esteja conectada a outros projetos do professor e/ou da Creche. Por exemplo, a participação em algum evento previsto no calendário da Creche pode ser um motivador para que as crianças tragam canções relacionadas ao tema ou à data comemorativa.
• É importante o planejamento para que as crianças possam investigar os aspectos no tempo delas.
• Mobilize o grupo para diálogos sobre a finalidade da investigação com música ou dança. Caso haja intenção de uma apresentação em evento, por exemplo, deixe que as crianças saibam e possam contribuir com o planejamento.
• Ideias sobre música e danças podem ser materializadas em diferentes contextos das artes plásticas. Essas produções podem ficar disponíveis para a comunidade escolar e/ou no dia da apresentação.
• Sempre que possível, disponibilize músicas de diferentes compositores, e não apenas do universo infantil. É importante compreender que a música é universal.
• Outra possibilidade de ampliação cultural é apresentar e pesquisar compositores e músicos brasileiros e regionais. Ouça músicas diversas do compositor ou cantor, espalhe fotografias, assista a vídeos e dialogue com o grupo para entender a ideia das crianças sobre o ritmo e sobre a pessoa.
• Se possível, convide o cantor ou compositor ou grupos de dança para ir até a Creche.
• Produza com as crianças e famílias instrumentos ligados ao ritmo.
• Convoque as famílias para produzirem indumentárias típicas de cada ritmo.
• Documente todo o processo com fotografias, vídeos, anotações e falas das crianças e disponibilize para a comunidade escolar.
Sobre artesanato e brinquedos folclóricos
• Organize contextos nos mais diferentes ambientes da Creche com artesanatos regionais.
• É possível introduzir o artesanato regional e nacional para as crianças menores de forma lúdica. Por exemplo, as crianças podem começar apenas manipulando a argila. É com base nesses movimentos que a criança começa a ter consciência do seu próprio corpo.
• Estimule as famílias a trazerem peças ligadas ao tipo de artesanato proposto pela investigação: cestaria, argila, linhas e fios.
• Convoque crianças e adultos a produzir peças usando matérias-primas de artesanato típico local ou da região que estiver em investigação.
• Converse com as crianças e troque ideias sobre artesanato, matérias, possibilidades com o material, objetos do universo familiar feitos com aquele material etc.
Sobre receitas típicas
• As sugestões de receitas presentes nesta obra são típicas de cada região. Em alguns casos, foram disponibilizadas versões mais saudáveis para crianças. Caso a receita não esteja na versão para criança, avalie substituir ingredientes de forma que os pratos fiquem mais leves e saudáveis. É importante a inclusão das crianças com restrição alimentar em decorrência seja de alergias alimentares seja de hábitos da família. Busque alternativas, como substituir leite de vaca por leite vegetal (de coco, arroz, por exemplo), ovo por banana madura ou linhaça, farinha de trigo por farinha de arroz e polvilho, entre tantas outras possibilidades.
• Apresente a receita impressa e decida com as crianças, com antecedência, como farão para conseguir os ingredientes. Aproveite a situação-problema para que as crianças sugiram alternativas. Podem, por exemplo, escrever um bilhete com apoio do educador solicitando os ingredientes para pedir à diretora da escola ou às para as famílias.
• Organize o ambiente para que as crianças sigam o passo a passo e manipulem os ingredientes e utensílios. Ajude sempre no momento de uso do fogão ou liquidificador. A preparação das receitas por pequenos grupos potencializa o resultado e o poder de escuta de cada criança.
• Provoque as crianças para que explorarem cheiros, texturas, sabores, cores, formas.
• Oriente as crianças sobre questões de higiene, como lavar as mãos, prender os cabelos, usar touca etc.
• Aproveite esses momentos para reforçar a importância da higiene e do cuidado com o alimento.
• Leve a receita impressa, foto da receita, os ingredientes separados e utilize recipientes de diversos tamanhos para medir. Livros de receitas também provocam a curiosidade das crianças.
• A receita impressa ajuda na relação com as medidas e sequência de passos da receita. Leia cada ingrediente e o modo de fazer e converse com o grupo para selecionar objetos necessários, como o liquidificador, por exemplo.
• Peça às crianças que encontrem a quantidade aproximada de uma pitada de sal ou uma xícara de coco ralado. É importante que elas reflitam sobre e compreendam qual medida se aproxima e quais as transformações ocorrerão no bolo caso ponha mais ou menos farinha de trigo que o indicado.
• Crie situações para que possam sentir o sabor do alimento, o que ajuda a entender que as medidas precisam ser respeitadas para que o sabor fique equilibrado.
• Peça que algumas crianças do grupo comuniquem às cozinheiras que elas precisarão de ajuda em algum momento da receita. Essa comunicação pode ser oral ou com desenho, de acordo com as ideias das crianças.
• No momento da espera de o bolo assar no forno, por exemplo, aproveite para preparar a mesa com as crianças, para que possam apreciar o alimento. Use toalhas e flores para decorar. Se for possível, compartilhe a receita pronta com outras crianças, para exercitar cooperação e partilha.
• Se for o caso, o grupo pode pensar em fazer um convite escrito para as demais crianças da escola.
• Cada receita é uma experiência que pode ou não dar certo. Se o resultado for diferente do esperado, construa com o grupo ideias coletivas sobre o que pode ter acontecido. Não apresse a resposta e apoie as crianças a construírem suas aprendizagens a partir das sínteses das experiências vividas, independentemente do resultado da experiência.
• Encoraje o grupo a escrever a receita usando desenhos para que possam entregar a crianças de outros grupos.
• Registre o processo e anote expressões das crianças para posterior análise e construção de documentações.
Sobre brincadeiras
• Dialogue para verificar o que as crianças já sabem sobre a brincadeira.
• Aproveite e questione sobre o nome da brincadeira. Caso não conheçam, levante hipóteses sobre como deve ser a brincadeira e explore essas ideias iniciais.
• Brinque com as crianças e se envolva de verdade na brincadeira. Isso faz toda a diferença na relação com elas.
• Oriente e discuta as regras para que as crianças não joguem a bola de forma que machuque o colega e, se necessário, assistam a um vídeo de outras crianças brincando para estabelecer os acordos e compreender a brincadeira.
• Dialogue sobre variações da forma de brincar e de nomenclatura de acordo com a região.
• Aproveite e assista vídeos em que crianças de outros estados estão brincando. Pesquise se alguma família já viajou para o local da brincadeira, levante as possibilidades de conhecer a brincadeira a partir da experiência cultural da sua localidade e de outras localidades.
• Uma oportunidade é identificar pessoas de outra região e solicitar vídeos das pessoas explicando sobre a brincadeira no estado delas.
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